Quando a proposta de Projetos de Aprendizagem foi mencionada e com ela a perspectiva de trabalhar com algo que fizesse “brilhar nossos olhos” fiquei eufórica. Saí da aula presencial sabendo exatamente o que eu queria e o que faria certamente meus olhos brilhar. Fui para o segundo encontro com uma pergunta que representava demais para a própria proposta e muito diferente das sugestões de cada colega. Quando percebi a dinâmica de escolhas rezei baixinho para que alguém também ousasse encarar o desafio. Fiquei muito feliz quando mais quatro colegas aderiram à proposta de pesquisarmos sobre cães e pessoas. Naquela noite nos foi solicitado alguns passos iniciais e devido ao avançado da hora me comprometi, com a permissão das colegas, em abrir nosso wiki e dar início ao trabalho.
E assim eu fiz. E até esta atitude cheia de amorosidade mais do que obrigatoriedade demonstrou ser um ato isolado, sem uma atitude grupal ou cooperativa.
No encontro que nosso grupo realizou soube até do questionamento pela nossa orientadora, a professora Íris do porquê da ordenação dos nomes na página chamada de autoras e fiquei pensando, será meu Deus que haveria algum problema que não fosse a digitação? Ainda lembro-me de ter colocado os nomes em ordem alfabética como sempre vejo nas obras e trabalhos acadêmicos... Mais uma vez parece que alguma coisa errada estava ocorrendo.
Batalhamos uma boa pergunta guarda-chuva, mostramos, refizemos, rabiscamos, todas juntas e no encontro onde aprendemos a fazer os mapas conceituais lançamos nossas certezas e dúvidas no wiki bem como a questão norteadora do projeto na página inicial. E eu ainda estava lá. Algo aconteceu daí pra frente. Não foi com as colegas, não foi com a orientadora, foi com o brilho nos olhos. Quando fui cobrada por não aparecer dez dias (que nem eu sabia como ocorreu esta contagem e depois descobri) percebi que as leituras (daqueles livros que sugeri no link da side bar em Sugestão de Materiais) não eram bem o que significava passar nosso tempo estudando. Estava mergulhada de cabeça com o projeto e imersa na alegria de ter a obrigação de ler aqueles livros maravilhosos que decoram minha estante e não minha mente. Via no projeto um caminho para justificar a atenção neste assunto, coisa que a Biologia que curso não aborda. Enfim descobri que não era assim, que não era uma pesquisa, que não devia ter usado termos de uma pesquisa, que o que eu estava fazendo era exatamente o contrário e como bem disse uma de minhas colegas de grupo em nossa reunião “o importante é a gente fazer este trabalho, a pesquisa tu faz na tua vida depois”. O tal brilho nos olhos estava sumindo e na mesma reunião da mesma colega ainda escuto “Olha Tati, tu quebrou minhas pernas, pensava que tu, Bióloga sabia sobre o assunto e fiquei apavorada quando vi que tu também não sabia muito e que eu teria que pesquisar muito mais”. Mas qual era mesmo a proposta do PA????? Não desrespeito a opinião de cada um, mas em algum momento a “realidade do aluno” se faz presente? Trabalhar em grupo é um ato acima de tudo de amor e respeito onde aceitar a opinião do próximo não significa sentir-se descartável e assim, desta maneira, cheguei em casa e chorei, muito e por um longo tempo. Neste momento, comecei a reavaliar toda a trajetória no Pead até agora e não conseguia mais ver o orgulho que sempre tive em alcançar êxitos com uma jornada tão difícil de trabalho e faculdades.
Esta auto avaliação não poderia ser mais franca e sincera, creio que não sejamos avaliadas somente na quantidade, mas na qualidade do que fazemos.
Dentro de minhas contribuições para o desenvolvimento do PA destacam-se:
· Elaboração da página do wiki;
· Organização da senha para o acesso de todos os peadianos;
· Estrutura das páginas lincadas como: Grupo de autoras, Área temática do projeto (que não precisava existir); Problema de Pesquisa (que também não era necessária visto que não é uma pesquisa como bem me corrigiu a professora Íris); Certezas e Dúvidas.
· Participei da construção da página Nossas Pesquisas e após minha participação fui em busca do contato da veterinária Ceres Faraco, que está como doutoranda da PUC e depois de muito trabalho consegui contato, porém não via mais isto como importante porque o registro na wiki é que tinha que ocorrer. Notei que a busca foi interessante para minha vida...
· Estive presente nas discussões de trocas do grupo;
· No estudo mais direcionado aos cães pude contribuir com textos próprios com as devidas fontes de consulta registradas em: Divisão dos cães por raças; Raças mais populares no Brasil; Como é a visão dos cães?; Quais os sentimentos dos cães (outra página que iniciei com muito gosto, mas nem registrei nada além da introdução sobre o assunto porque também não me pareceu algo rico, mas uma página sem argumentos...).
· Li todas as postagens das colegas e modificações no trabalho e com isto minhas informações ampliaram muito. Percebendo que alguns assuntos pudessem ser considerados curiosos propus a página Curiosidades.
Não vejo minha participação como nula ou sem contribuição ao grupo. Contudo percebo que se tivesse a disposição das horas solicitadas para o PA o trabalho teria tido uma outra dimensão. Dentro de minhas possibilidades poderia ter sido melhor e ter apresentado uma participação mais densa e reflexiva. Creio que justificativas não resolvem problemas desta natureza, mas aliviam angústias e nos fazem sentir parte de um todo. Vejo muito disso num trabalho em grupo, o unir e não separar; o acolher e não afastar; ver a realidade de cada sujeito antes de julgá-lo conforme as aparências... Sempre há dois lados em qualquer situação e o filme que trabalhamos outrora sobre um julgamento e homens diferentes pode acabar na máxima jurídica de que na dúvida, não se condena.
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