A ensaboada história do sabão
A idéia de que cachorro capturado pela carrocinha vira sabão aparece em desenhos animados, músicas, comentários... É tão comum que até pode trazer a pergunta: Será que o sabão ali da pia já foi um dia um cão?
Epa! Controle a imaginação! É verdade que para fazer sabão, utiliza-se gordura animal – o sebo ou óleo vegetal. Tanto é que o primeiro produto desse tipo de que se tem notícia foi feito a partir de sebo de bode misturado a cinzas de plantas pelos fenícios – um povo que habitou, no passado, a região onde hoje é o Líbano.
Porém, quem trabalha com os cachorros recolhidos nas ruas pela carrocinha garante que ninguém utiliza atualmente a gordura desses bichos para fazer sabão – algo que, provavelmente ocorreu no passado.
“A carrocinha retira das ruas cães sem dono que estão feridos, muito agressivos ou que podem ter doenças transmissíveis ao homem, como a raiva”, explica a veterinária Cláudia Regina Magalhães, diretora do Centro de Zoonoses do Rio de Janeiro. “Há cerca de 15 anos, quando casos de raiva ainda existiam na cidade, os cães sem dono costumavam ser mortos e depois queimados para reduzir o número de animais soltos nas ruas. Mas, hoje, com a raiva controlada, a tendência é cuidar dos cães, operá-los para que não possam mais se reproduzir e coloca-los para adoção.” Essa é uma prática que vem ganhando espaço em todo o Brasil.
Se os cães permanecem vivos hoje em dia, não há por que imaginar que sua gordura seja usada para fabricar sabão. Mas... e quanto ao passado? “É difícil pensar que o sebo dos cães pudesse ser usado para a fabricação de sabão, porque, provavelmente, os animais trazidos pela carrocinha eram magros, com pouca gordura, que podiam estar até doentes, representando um risco para quem os manipulasse”, diz Cláudia.
Conteúdo publicado na revista Ciência hoje das crianças edição de maio de 2005. www.ciencia.org.br
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